Poseidon

No Ar: O Motor Que Mais Trabalha Registrou 91,000 Anos em Voo

Jun 2, 2016 por Tomas Kellner


Quanto é 91,000 anos? Se voltarmos até esta época na história da Terra veremos que o Saara era um planalto úmido e fértil. É também a quantidade acumulada de tempo que o motor que mais trabalha no mundo, o CFM56, passou no ar desde seu primeiro voo comercial no jato de passageiros DC-8 Super 70, em 1980.

A CFM Internacional, que na época era uma nova empresa em conjunto entre a GE Aviation e a Safran Aircraft Engines da França, desenvolveu um motor nos anos 70. Desde então, a empresa já entregou quase 30,000 motores para mais de 550 companhias aéreas, com planos para adicionar mais 1,700 este ano. Hoje, eles oferecem potência a milhares de jatos Boeing 737 e Airbus A320 de corredor único, o tipo que transporta a maioria dos passageiros de voos de até quatro horas. “Existem mais de 2,400 aeronaves que utilizam o CFM56 no ar a qualquer momento,” diz Jean-Paul Ebanga, presidente e CEO da CFM.

Boeing 737 at the 2015 Dubai Airshow, Al Maktoum International Airport, Dubai, United Arab Emirates

O piloto e fotógrafo Adam Senatori capturou esta imagem de um Boeing p-8 Poseidon que utiliza o CFM56 no Show Aéreo de Dubai em 2013. Acima: Um motor CFM56 em um Boeing 737 no Show Aéreo de Dubai em 2015. Créditos da imagem: Adam Senatori/GE Reports.


O motor, essencialmente, deu asas às companhias aéreas populares, que mantêm cronogramas apertados de voo. “O motor está pronto para o trabalho novamente antes mesmo dos comissários de bordo removerem todos os jornais e embalagens de cookies do voo anterior,” diz Rick Kennedy, porta-voz da GE Aviation.

Em 1974, a CFM era apenas uma startup ambiciosa. A GE Aviation era conhecida, principalmente, por motores militares que equipavam aeronaves como o caça F-4 Phanton e o bombardeiro estratégico B-1 Lancer. Empresas como Pratt & Whitney e Rolls-Royce dominavam o espaço civil.

Mas a Safran, que fornecia partes de motor para a GE, viu uma oportunidade. A empresa queria construir um motor leve e silencioso, porém poderoso, que pudesse atender ao mercado de aeronaves de corredor único – e o motor GE F101 do Lancer tinha todas as coisas certas.

B-1 Bomber in flight

O motor CFM56 usa a tecnologia, originalmente, desenvolvida pela GE Aviation para o B-1 Lancer. Créditos da imagem: Getty Images.


Após garantir o consentimento de ninguém menos que os Presidentes Richard Nixon e George Pompidou – motores de jatos eram assunto de segurança nacional – os engenheiros da GE e da Safran tiveram permissão para ir em frente. Eles utilizaram o núcleo do motor do Lancer – o compressor, o combustor e a turbina de alta-pressão – para criar o CFM56. Os parceiros conseguiram a certificação do motor em 1974 e ele fez seu primeiro voo em 1977, quando substituiu um dos quatro motores da Pratt & Whitney no MacDonnell Douglas YC-15 da Força Aérea dos EUA.

CFM56 engine at the GE Wales facility

Um par de motores CFM56 no centro de assistência da GE Aviation no País de Gales. Créditos da imagem: Adam Senatori/GE Reports.


Embora o desempenho do motor tenha sido bom, o plano de negócios da CFM quase faliu: A jovem empresa não conseguia encontrar nenhuma aplicação comercial. Um contrato para colocar novos motores em uma frota de 600 petroleiros KC-135 da Força Aérea lhe deu sobrevida, e a empresa continuou a crescer em 1979, quando ganhou um contrato com a United Airlines para reabastecer 30 jatos Douglas DC-8, que até então possuíam motores fornecidos exclusivamente pela Pratt & Whitney. Os aviões da série DC-8 Super 70s equipados com os motores CFM eram mais silenciosos e econômicos do que seus antecessores, e isso deu ao motor CFM56 o impulso necessário. Dentro de anos, o Boeing passou a utilizar os motores para seus aviões 737; o Airbus também se juntou à festa.

Passenger airplane in flight over a summer clouds sky.

Uma versão anterior de um Boeing 737 equipado com o motor CFM56. Crédito da imagem: Getty Images.


É claro, o motor passou por inúmeros melhoramentos e novos projetos dentro dos últimos 35 anos. Os modelos mais recentes voam por 30,000 horas em média antes de visitarem a assistência pela primeira vez, e podem, às vezes, voar por até 50,000 horas. Isso é o suficiente para cobrir 15 milhões de milhas – uma distância equivalente a viajar até a lua e voltar 30 vezes.

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A ventoinha de um motor CFM56. Crédito da imagem: Adam Senatori/GE Reports.


No entanto, o motor tem um concorrente. O CFM LEAP, o primeiro motor com componentes e peças impressas em 3D em cerâmica, é o motor mais vendido atualmente. Ele foi desenvolvido para a nova geração de aviões de corredor único. A CFM recebeu mais de 10,700 pedidos de modelos LEAP de quase 100 clientes ao redor do mundo. Pelo preço dos EUA, o valor dos pedidos ultrapassou os $150 bilhões.

A320neo in flight

As autoridades reguladoras dos EUA e da Europa acabaram de certificar o Airbus A320neo equipado com motor LEAP para viagem de passageiros. Crédito da imagem: Airbus.


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